
A psiquiatria é uma das especialidades médicas em maior crescimento devido ao maior cuidado com a saúde mental na contemporaneidade. O psiquiatra é o médico que avalia, previne e trata da saúde mental.
A saúde mental é um dos principais pilares da nossa vida. Ela afeta como nos sentimos, pensamos e agimos. Seu cuidado é um ato de amor próprio, é essencial para uma boa qualidade de vida.
Serão descritos, neste artigo, as principais condições psiquiátricas e os sinais, mais comuns, que indicam a necessidade da avaliação de um médico psiquiatra.
Qual a formação de um psiquiatra?
A jornada para se obter o título de especialista em Psiquiatria no Brasil é longa e desafiadora, exigindo 9 anos de formação.
A faculdade de medicina é o primeiro passo. É um curso de ensino superior com duração de 6 anos.
Após se formar como médico, deve-se ingressar para a residência em psiquiatria, uma especialização médica que aprofunda o conhecimento na área. A residência médica de Psiquiatria tem 3 anos de duração.
O estudo constante é essencial, mas não é o bastante. A empatia e a dedicação contínua ao acolhimento, cuidado e ao alívio de sofrimento é fundamental.
O que faz um psiquiatra?
Psiquiatra é o médico que trata a saúde mental.
Investiga condições psiquiátricas por meio do exame mental e da coleta da história clínica e dos antecedentes pessoais.
Trata condições psiquiátricas por meio de prescrição de medicações psicotrópicas e recomendações acerca de mudanças no estilo de vida.
Um bom psiquiatra é aquele que não se atém apenas a prescrição de medicamentos, mas que também tem uma base para realizar intervenções psicológicas. Além disso, é necessário que seja um profissional capaz de empatizar com o sofrimento do outro.
Quais sinais indicam que devo buscar um psiquiatra?
Se você está com algum sentimento ou emoção que lhe cause um prejuízo em alguma área da vida, como na esfera profissional, lazer, familiar ou nas relações interpessoais.
Se tem apresentado algum sofrimento que esteja lhe desgastando de forma excessiva ou persistente.
Se você tem se isolado de pessoas.
Se você tem faltado trabalho frequentemente.
Listamos, abaixo, sinais e sintomas mais comuns que indicam a necessidade de uma avaliação psiquiátrica:
1. Alterações de Humor:
-
- Tristeza persistente.
-
- Sensação de vazio ou desesperança.
-
- Choros frequentes e/ou sem motivos aparentes.
-
- Irritabilidade excessiva.
-
- Mudanças de humor repentinas e intensas.
-
- Perda de interesse ou prazer em atividades que antes eram prazerosas (anedonia).
-
- Indisposição.
-
- Falta de energia.
-
- Sentimentos de culpa ou de inutilidade.
-
- Vontade de morrer ou de sumir.
2. Ansiedade:
-
- Preocupações excessivas e difíceis de controlar.
-
- Impaciência.
-
- Medos intensos e/ou irracionais (fobias).
-
- Ataques de pânico (sensação repentina de medo intenso acompanhada de sintomas físicos como palpitações, falta de ar, tontura).
-
- Medo de interagir socialmente.
-
- Inquietação.
-
- Sentimento de angustia.
-
- Tensão muscular: dores de cabeça, dores no corpo.
-
- Podem ocorrer problemas gastrointestinais, como diarreia, dor ou queimação no estõmago.
3. Pensamento e Comportamento
-
- Agitação psicomotora.
-
- Dificuldade de aceitação de si mesmo.
-
- Relação conflituosa com a alimentação.
-
- Pensamentos obsessivos: Ideias ou imagens que invadem a mente.
-
- Compulsões: Comportamentos repetitivos e excessivos realizados para reduzir a ansiedade.
-
- Comportamentos impulsivos ou de risco (gastos excessivos, abuso de substâncias, sexo desprotegido).
-
- Isolamento social e retraimento.
-
- Redução ou excesso de apetite.
-
- Insônia ou sono excessivo.
-
- Queixas físicas frequentes sem causa médica aparente (dores de cabeça, dores de estômago, etc.).
-
- Dificuldade em realizar tarefas do dia a dia.
-
- Uso de álcool ou drogas para lidar com as emoções.
-
- Alterações na percepção da realidade, como alucinações ou delírios.
-
- Dificuldade em tomar decisões.
4. Cognição
-
- Prejuízo na atenção e/ou concentração em atividades cotidianas, como ler ou assistir a um filme.
-
- “Brancos” na memória.
-
- Sensação de mente confusa ou dificuldade em organizar pensamentos.
Quais as principais condições tratadas por um psiquiatra?
-
- Transtornos Depressivos: Caracterizados por tristeza persistente, perda de interesse e prazer, alterações no sono e apetite, fadiga, sentimentos de culpa e inutilidade. Podem se associar a sentimentos de culpa e inutilidade disfuncionais.
-
- Transtornos de Ansiedade: Envolvem preocupação excessiva, sofrimento por antecedência, medo intenso (fobias, pânico), ansiedade social e comportamentos compulsivos.
-
- Transtorno Bipolar: Marcado por oscilações extremas de humor, alternando entre episódios de mania/hipomania(euforia, aumento de energia) e depressão, com impacto significativo na vida.
-
- Esquizofrenia e outros Transtornos Psicóticos: Condições graves que afetam o pensamento, a percepção da realidade (alucinações, delírios) e o comportamento, exigindo tratamento contínuo.
-
- Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC): Caracterizado por pensamentos ou imagens intrusivos e recorrentes (obsessões) que causam angustia, levando a comportamentos repetitivos ou rituais mentais (compulsões) que objetivam aliviar o desconforto causado pelas obsessões.
-
- Transtornos Alimentares: Envolvem padrões disfuncionais de relação com os alimentos e/ou ato de alimentar-se. Exemplos incluem anorexia nervosa, bulimia nervosa e transtorno da compulsão alimentar.
-
- Transtornos de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH): Condição neurobiológica que se manifesta por dificuldades de atenção, hiperatividade e impulsividade, impactando no desempenho educacional, profissional e social.
-
- Transtornos de Personalidade: Padrões inflexíveis e mal adaptativos de pensamento, sentimento e comportamento que causam sofrimento e dificuldades nos relacionamentos e na vida em geral. Estão presentes no indivíduo de forma crônica.
-
- Transtornos relacionados a Substâncias: Envolvem o uso problemático de álcool e/ou outras drogas, levando à dependência, abstinência e prejuízos em áreas da vida. Relações disfuncionais diversas com substâncias se enquadram nesses transtornos.
-
- Transtornos do Neurodesenvolvimento: Abrangem condições que surgem na infância e adolescência, como o Transtorno do Espectro Autista (TEA) e deficiências intelectuais, afetando o desenvolvimento social, comunicacional e cognitivo.
-
- Transtornos do Sono-Vigília: Caracterizados por problemas persistentes relacionados ao padrão de sono, como insônia, hipersonia e narcolepsia, afetando o bem-estar físico e mental.
-
- Transtornos Traumáticos e Relacionados a Estressores: Desenvolvem-se após exposição a eventos traumáticos ou estressantes, como o Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT) e transtornos de adaptação.
Psiquiatra vs. Psicólogo: Entenda as diferenças
É comum haver confusão entre os papéis do psicólogo e do psiquiatra, já que ambos atuam na área da saúde mental. No entanto, suas formações, abordagens e a possibilidade de prescrever medicamentos distinguem suas atuações.
Psicólogo:
-
- Formação: Graduação em Psicologia (geralmente 5 anos).
-
- Atuação: O psicólogo foca na compreensão do comportamento humano, das emoções e dos processos mentais através de diversas abordagens teóricas (psicanálise, cognitiva, comportamental, humanista, entre outras).
-
- Intervenção: Sua principal ferramenta de trabalho é a psicoterapia (ou terapia), um processo de diálogo e técnicas psicológicas que visa promover o autoconhecimento, lidar com dificuldades emocionais, comportamentais e de relacionamento, desenvolver habilidades de enfrentamento e promover a saúde mental. Não prescreve medicamentos.
-
- Foco: Trabalha com uma ampla gama de questões, desde dificuldades cotidianas, problemas de relacionamento, estresse, ansiedade e depressão leves a moderadas, até o desenvolvimento pessoal e a busca por autoconhecimento.
Psiquiatra:
-
- Formação: Graduação em Medicina (6 anos) seguida de Residência Médica em Psiquiatria (3 anos).
-
- Atuação: O psiquiatra é um médico especializado em saúde mental. Ele tem o conhecimento médico necessário para diagnosticar transtornos mentais, considerando aspectos biológicos, psicológicos e sociais.
-
- Intervenção: Sua principal forma de tratamento pode envolver a prescrição de medicamentos psicotrópicos (antidepressivos, ansiolíticos, antipsicóticos, estabilizadores de humor, etc.), além de poder realizar psicoterapia e outras intervenções clínicas.
-
- Foco: Trata de transtornos mentais mais complexos e graves, como depressão grave, transtorno bipolar, esquizofrenia, transtornos de ansiedade severos, transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) e outros quadros que podem necessitar de intervenção medicamentosa.
Resumindo, o psicólogo oferece a terapia como principal ferramenta para explorar e modificar padrões de pensamento, sentimento e comportamento. O psiquiatra, como médico, pode diagnosticar e tratar com medicamentos, além de também poder oferecer psicoterapia.
Trabalhando juntos: O tratamento mais eficaz envolve a combinação dessas abordagens: o psiquiatra pode estabilizar sintomas com medicação, enquanto o psicólogo trabalha as questões emocionais, comportamentais e de enfrentamento através da terapia.
Dr. Eduardo Freitas é médico psiquiatra com especialização em Terapia Cognitivo Comportamental, atuando não só na prescrição de medicamentos, mas também através de abordagens psicoterápicas preconizadas.
Um convite à reflexão
Pare um momento e pense em você. Como está sua saúde mental? O que você precisa para se sentir melhor? Não adie o cuidado. Você merece ser cuidado. Você merece viver bem. Buscar ajuda é um sinal de força e de autocuidado.
É importante lembrar que sentir tristeza ou ansiedade em algum momento desafiador da vida é normal, é esperado. Não devemos “patologizar” todo sofrimento. No entanto, se esses sentimentos forem persistentes, intensos e estiverem afetando sua qualidade de vida, procurar ajuda profissional é fundamental.
Um psiquiatra capacitado poderá realizar uma avaliação completa e indicar a condução mais adequada para o seu caso. A saúde mental é um direito de todos. Você não precisa passar por isso sozinho. Seu psiquiatra deve te ajudar a encontrar o equilíbrio para lidar com os problemas da melhor forma possível.